31 agosto 2008

] Junto do teu mar profundo [ *


Náufrago,
Vim pelas vagas da tempestade.
E vim com sede.

A corrente que me trouxe,
Não sei como,
Me fez esbarrar nessa ilha
Feito concha regressada.

Perscrutei
As tuas ondas,
As tuas cores,
E tudo me pareceu tão natural
Que senti medo:
O que vejo nas tuas trilhas
Sou eu?

Tenho medo de lançar âncora
E ferir os teus corais.
Por isso contemplo o teu mar profundo,
Apostando no palpite
De que dá pé.

Enquanto isso aguardo
Na efervecência das minhas bolhas,
A resposta do teu ar.

* para um certo poeta

(30/08/08)

13 agosto 2008

] Menino de engenho [


Sou engenho moendo de raiva
Para continuar líquido.

E tentando não vazar
Para ser concentrado.

Só quando a cana é muita
E a pressão demais,
É que me desconcentro do açúcar.

E escorro pelos olhos.

Daí limpo as engrenagens
E começo tudo de novo.

(13/08/2008)