22 junho 2013

] Bem-me-quer [

Em silencio faço a minha escolha
E me contraio em espera muda.
Eu conto as pétalas de bem-me-quer
Que se desprendem

A cada dia que te julgo ausente.
E as recolho carinhosamente
Para dentro do livro
Que contém todas as palavras,
Que por cautela,
Guardaste de me dizer.
Aquelas que existem
Apenas no espaço do desejo
E na imaginação
Daquele que as queria ouvir.

A aridez do tempo
Faz com que as palavras imaginadas,
Murchem pela sede da saliva
Daquele que as tornaria
Mais do que mera expectativa...
Assim como as pétalas
Que, desprendidas do talo
Que as conectavam à terra,
Nada podem de dentro do livro
Que as cativa,
Delas restando apenas
A memória de um aroma apreciado.

Assim, o meu silêncio
Também é cautela. E decorre
Do meu não saber sobre o teu.
O meu silêncio...
É medo de quebrar teu tempo
E o equilíbrio tão delicado
No universo que é você.
Tenho medo de que o meu ar
Te sufoque...
Medo de, ao te querer demais,
Me queiras de menos.

Não te quero perder...
Por isso a minha espera só é muda
Por que se eu grito
A minha urgência poderia
Afastar-te do meu jardim.
Portanto é por cautela que me contraio.
E o meu eu piegas,
De contar pétalas
E guardá-las neste livro
Que é só teu,
É uma forma de garantir
Que mesmo te perdendo
Te mantenho comigo na memória
Da pele...
E no livro das palavras

Imaginadas.

03 junho 2013

] O meu querer [

O meu querer
Te quer inteiro:
Cotidiano e humano,
Lavado ou sujo,
Cansado, irritado ou triste...
Para que te possa
Providenciar o colo
Para que descanses na noite fria,
Apenas pra ver-te
Desabrochado o riso
Na manhã seguinte.

O meu querer
Não te quer conformado
Para meu gosto,
Mas para que sejas tu.
Apenas tu.
Pois és o que em mim agita.
O meu querer,
Que é de admiração
solitária e contemplativa,
Não exige posse
Nem quer extinguir-te em si
Ou em mim.
Não te quer resumir
Ou simplificar.
Mas ao contrário,
O meu querer
Quer que sejas o que és
E como és.
Por que o meu querer
Consiste nisto:
Em partilhar a tua complexa
Individualidade.

O meu querer
Não incide em desnudar-te de ti.
O meu querer
Apenas te veste de vontades,
Ilumina as qualidades
Que em ti suponho
E despe de ti
Toda a sorte de defeitos.
E embora o meu querer
Seja de tolices e ingenuidades,
Desejando
Aquilo que supõe de ti,
O meu querer quer crer
Que o que tens
Me é coerente. Compatível...
E algo mais que afável.

O meu querer
Confia.
Quer mais do que tudo
Que você queira!
Pois o meu querer
Não é de fingir
Nem é de lutar por causa perdida.
Assim,
Você querendo,
O meu querer
É de fazer dar certo.

O meu querer
Quer apenas a tua verdade
Seja ela qual for,
Só assim o meu querer
Pode continuar querendo.
E embora
O meu querer não possa ser
- Como todo querer -
De dar garantias
De eternidade,
Hoje o meu querer
Te quer inteiro:
Cotidiano e humano...
Só pra ver-te
Desabrochado o riso
Na manhã seguinte.

] 03 de Junho de 2013 [