] Porque é outono (um poema a 3 vozes) [
Porque é outono,
É chegado o tempo de calar
Todas as perguntas,
Hibernar todos os gestos,
Todas as intenções.
- "Espere!"
Porque é outono,
O vento lambe minha orelha
E sem saliva murmura
Que eu siga com ele.
- "Eu não quero!"
- "Vem."
Porque é outono,
Preciso me despir
De minhas folhas,
Minhas Cascas,
Minha vaidade.
Preciso fechar as portas
Para abrir as janelas.
Seco demais pra fazer chover,
Eu sangro seco.
- "Forte demais!!!"
- "Agüente."
Porque é outono,
Me resta apenas uma resistência
De raiz.
Um estar preso ao chão,
Simplesmente porque
Não me posso soltar.
- "Não posso me soltar!"
- "Suas folhas, seus galhos."
O outono
É um desnudar-se
Do não essencial,
Do que serviu por um tempo
E já não cabe.
O outono
É estar em carne viva agora,
Para que no inverno
Não se morra.
- "Dói!"
- "Dói. Mas não importa."
Porque é outono,
O vento chega arrastando tudo.
Irresponsável:
Levantando a poeira dos sonhos
E dos móveis,
Irrompendo pelas janelas
Do cotidiano,
Revolvendo pesares,
Inflando temores
E arrependimentos.
- "O que foi que eu fiz?"
- "Fez o que podia."
Mas...
Porque é outono,
Não adianta procurar
Pelo que o vento levou
Ou nunca trouxe.
Também não adianta perguntar
Quando,
Onde
Ou porquê.
De um jeito ou de outro,
Está tudo por aí:
Modificado.
Se mesmo assim
Alguém perguntar,
Observe que no outono,
Um rugido é a mais contundente
Das respostas.
- "Basta! Eu tremo..."
- "É preciso."
No outono,
O vento assusta
Por sua presença veloz:
Que atravessa,
Destrói,
Move e transborda...
O que, em outra estação,
Seria suave carícia
E beijo.
- "Por favor, eu quero..."
- "Não te querem. Não é hora."
Não adianta.
Porque por mais que doa,
O outono
É uma estação honesta.
Pois, diferente do verão,
Que nos amolece os sentidos,
Ou do inverno,
Que nos petrifica os dedos,
O outono vem
Bater-nos às portas
E à cara:
Tapa de realidade
Que sem pudor nos despe,
E nos revela.
- "Já? Agora?!"
- "Agora."
Sim, o outono nos poda.
Grande oportunidade para
Nos fazermos de novo.
Às folhas do que fui:
R.I.P.
] 19 de abril de 2014 [
É chegado o tempo de calar
Todas as perguntas,
Hibernar todos os gestos,
Todas as intenções.
- "Espere!"
Porque é outono,
O vento lambe minha orelha
E sem saliva murmura
Que eu siga com ele.
- "Eu não quero!"
- "Vem."
Porque é outono,
Preciso me despir
De minhas folhas,
Minhas Cascas,
Minha vaidade.
Preciso fechar as portas
Para abrir as janelas.
Seco demais pra fazer chover,
Eu sangro seco.
- "Forte demais!!!"
- "Agüente."
Porque é outono,
Me resta apenas uma resistência
De raiz.
Um estar preso ao chão,
Simplesmente porque
Não me posso soltar.
- "Não posso me soltar!"
- "Suas folhas, seus galhos."
O outono
É um desnudar-se
Do não essencial,
Do que serviu por um tempo
E já não cabe.
O outono
É estar em carne viva agora,
Para que no inverno
Não se morra.
- "Dói!"
- "Dói. Mas não importa."
Porque é outono,
O vento chega arrastando tudo.
Irresponsável:
Levantando a poeira dos sonhos
E dos móveis,
Irrompendo pelas janelas
Do cotidiano,
Revolvendo pesares,
Inflando temores
E arrependimentos.
- "O que foi que eu fiz?"
- "Fez o que podia."
Mas...
Porque é outono,
Não adianta procurar
Pelo que o vento levou
Ou nunca trouxe.
Também não adianta perguntar
Quando,
Onde
Ou porquê.
De um jeito ou de outro,
Está tudo por aí:
Modificado.
Se mesmo assim
Alguém perguntar,
Observe que no outono,
Um rugido é a mais contundente
Das respostas.
- "Basta! Eu tremo..."
- "É preciso."
No outono,
O vento assusta
Por sua presença veloz:
Que atravessa,
Destrói,
Move e transborda...
O que, em outra estação,
Seria suave carícia
E beijo.
- "Por favor, eu quero..."
- "Não te querem. Não é hora."
Não adianta.
Porque por mais que doa,
O outono
É uma estação honesta.
Pois, diferente do verão,
Que nos amolece os sentidos,
Ou do inverno,
Que nos petrifica os dedos,
O outono vem
Bater-nos às portas
E à cara:
Tapa de realidade
Que sem pudor nos despe,
E nos revela.
- "Já? Agora?!"
- "Agora."
Sim, o outono nos poda.
Grande oportunidade para
Nos fazermos de novo.
Às folhas do que fui:
R.I.P.
] 19 de abril de 2014 [


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