] Os que habitam os EspaçosEntre [
As paredes dão solavancos
E parece que algo está prestes a arrebentar
Porta afora.
São os ]desassossegos[ amontoados
Que resolveram se mexer.
Longamente acarinhados
Pelo morador,
Jaziam em sono quadrangular,
Acalentados por um zunido quase
Imperceptível,
Que girava em certa acomodação
Constante,
E num indisfarçável contentamento.
Por isso não retumbavam.
As vozes que de dentro vinham
Confundiam-se atarantadas.
O que derivava de certo fracasso
De placidez tonta,
Era sintoma:
Uma reação alérgica à entropia do humano.
Que tornava a visão passiva
Obliterada,
Devido à miopia das janelas.
Era então
Que havia pouco espaço na casa.
Nos cantos, em aparadores empoleirados,
Os devaneios faziam altares.
E as tomadas, constipadas,
Não proviam daquilo que se esperava delas.
E faiscavam apenas em memória:
Emudecidas.
As cortinas, rotas,
Embotavam a mínima luminosidade
Que havia no quadrante abismo.
Ali espreitava o sono translúcido do ébrio.
Que tudo é em seu mundo líquido.
Ali, se amanhã havia,
Podia esperar.
A água secou
Para que os ]desassossegos[
Viessem à tona.
Eles que vivem inflados
Nos EspaçosEntre
E que nas paredes dão rompantes
De criança nova em esperneios
De fome.
Há que se permitir
Que esperneiem. Que espreguicem. Que troquem de lugar.
Há que se convidá-los
Para dançar.
Os ]desassossegos[ são
A melhor vingança dos EspaçosEntre para uma vida
Obesa de tralhas.
(19/07/08)


1 Comentários:
Edu...não preciso nem falar, não é?!!
A-D-O-R-E-I!
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