] Mesóclises [
Contar-lhe-ei mesóclises para boi dormir.
E dormir-se-ão os bois quais carneirinhos.
Enquanto você: que não dorme,
Os há de contar.
Contar-los-á de dois em dois:
Por ser mais fácil, mais rápido e mais divertido.
Até que se lhe acabe de cabeça a tabuada.
Ou até que se lhe pegue o sono.
Porque o sono não tem mesóclises.
Nem a tabuada há de as ter,
Porquanto é de vezes que se faz uma tabuada.
E é por vezes
Que hão de roubar-lhe o sono.
Tantas vezes o acordar cedo vezes o horário vezes o trânsito vezes os prazos estourados daquele trabalho vezes os juros do banco vezes as contas vezes 12 meses para pagar e - se não paga - vezes os juros de novo vezes a burocracia que na vida há vezes a atenção aos amigos (se-lhe-os têm) vezes os problemas que cada um há de ter vezes as reclamações próprias vezes chegar em casa vezes fazer o jantar (se lhe falta quem o faça por si) vezes lidar com o tanto de tudo...
Que chega a ser difícil,
Por vezes,
Pegar-se-lhe o sono.
Por isso, contar-lhe-ei mesóclises simples como tais,
Que são só... Para boi dormir.
E acaso não durma,
(O que é bem provável)
Lembrar-se-á, ao menos,
Que mesóclises, ao contrário das irmãs,
Só são usadas muito às vezes,
Porque não cabem
Na rotina do discurso.
Contar-lhe-ei, por fim,
Que mesóclises abraçam a gente.
(09/06/08)


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial