07 fevereiro 2013

] Resumindo... [

De tudo o que eu disse,
Disse tudo. E poderia ter dito menos.
Parece que as palavras
Quando vêm à boca,
Deixam sempre um gosto metálico e frio,
Um residual amargo de um
Não-era-bem-isso-oque-eu-queria-dizer.
Mas disse.

De tudo o que eu disse,
Disse tudo. E não disse nada.
Das palavras invocadas,
Ortogonais e rascantes,
Restou apenas as curvas
De uma interrogação.
E a resposta abafada de uma língua que
Sem querer
Esbarrou no ponto final.

De tudo o que eu disse,
Disse tudo. E o que era pra ser?
Outra coisa.
Escrevi errado,
Escrevi por linhas tortas!
Disse tudo de mim!
E não disse nada.

Estava surdo,
Pois o que em mim gritava
Era a verdade dos meus medos,
O eco da minha loucura...
Aquilo que não entendo.
O que em mim gritava
Era confusão.

De tudo o que eu disse,
Disse demais.
Ocupei o lugar do silêncio
Que poderia ter dito,
Talvez com coerência
Tudo aquilo que eu não pude.

Ocupado em dizer,
Afoguei-me em minha própria saliva,
Morrendo de sede
Em luto pelo Hai Kai não nascido.

Resumindo...
De tudo o que eu disse
Restou, indelével, um
Mas.
Mas... apesar disso tudo...

De tudo o que eu disse...
Não-era-bem-isso-oque-eu-queria-dizer.
Não-era-bem-isso-oque-eu-queria.
Não-era-bem-isso... O que?
Não-era-bem-isso.
Não-era-bem (não era mal).
Não era.

Talvez fosse justamente o contrário.


] 07 de Fevereiro de 2013 [

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